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> Sampa <

Este fim de semana estive em São Paulo por terceira vez em minha vida. Na realidade é a quarta vez que visito essa cidade, mas a primeira acho que não deve se ter em conta, pois não saí do aeroporto, que, como sabem, é um não-lugar, um nengures. Como aconteceu as outras vezes, en nenhum momento consegui saber onde é que estava, totalmente desorientado. Não tenho uma imagem mental do plano de São Paulo, não faço a menor idéia de sua forma e extensão, só conheço o que intuo. Como nas duas ocasiões anteriores, deixei me levar pela minha mulher, que, além de uma maior capacidade de orientação, conhece melhor a cidade. A mega-cidade. Desde o ar, antes de pousar em Congonhas, São Paulo parece uma maqueta gigante, com aqueles arranha-céus que brotam das entranhas da terra. Senti realmente vontade de me perder naquela selva de asfalto; às vezes é bom se sentir ponto na imensidão, na mesmice do nada. O horizonte não existe em São Paulo, por cima dos edifícios apenas uma massa cinzenta de poluição. Já desde o chão, o céu longínquo tem degraus com antenas de televisão e heliportos.
Mas São Paulo não é só uma cidade grande, é também uma grande cidade, onde tudo acontece. Da noite do sábado, por exemplo, lembro apenas uma bruma. Depois de uma terrível dor de dentes e uma intervenção de urgência, após um dia e meio sob os efeitos de analgésicos e antiinflamatórios, com meia mandíbula dormida pela anestesia, duas simples caipirinhas e dois chopes podem causar estragos na consciência. Mas nada grave, e tudo dentro da legalidade, sem risco de ser encarcerado pelas guardiãs da ordem (e o progresso?). Aliás, São Paulo tem uns bares muito legais.

2003-06-18, 08:11 | 2 comentarios

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Comentarios

1
De: Martin Pawley Fecha: 2003-06-18 10:40

Tenha paciencia. Seguro que pouco a pouco ira ganhando en entusiasmo pola cidade grande, até acabar cantando coma o Caetano Veloso:

Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João
é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
da dura poesia concreta de tuas esquinas
da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho
e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
afasto o que não conheço
e quem vem de outro sonho feliz de cidade
aprende depressa a chamar-te de realidade
porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
da força da grana que ergue e destrói coisas belas
da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Panaméricas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
mas possível novo quilombo de Zumbi
e os novos baianos passeiam na tua garoa
e novos baianos te podem curtir numa boa.

(Letra da canción Sampa)



2
De: ivan Fecha: 2003-06-19 06:54

despois do entrenamento que fixemos coas caipirinhas parece mentira!!
acabaralle apaixoando tan fermosa cidade



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