caderno galego-brasileiro
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Embora não se tenha produzido um terremoto político nas eleições municipais de ontem, alguma coisa está mudando na Galiza. Devagar. Lula justificava a "radical moderação" de sua política econômica dizendo que o Brasil é um país imenso, e que não se pode virar o rumo de um transatlântico (ou de um petroleiro, não é?) fazendo bruscas manobras no leme. Será que os votantes galegos pensam a mesma coisa? (aliás, diga-se de passagem que os governantes galegos e espanhóis desconhecem totalmente essas normas básicas de navegação, como demostraram há pouco mais de seis meses).
Possivelmente, além da satisfação pela perda total de votos do partido no governo, pela mudança parcial do panorama, deva reconhecer que umas eleições municipais, onde os contextos são diferentes e os interesses cruzados, provoca sempre resultados diversos, o qual permite fazer leituras confrontadas e até contraditórias. Eu fico com um dado que me produz satisfação e desconforto, ao mesmo tempo. O imprefeito-alcaide da Corunha, Sir Francis Vázquez perdeu dez mil votos e quatro vereadores, mas conseguiu mesmo assim a sua sexta maioria absoluta. Aliás, nem precisaria tanto, poderia governar com o apoio pontual (seria, com certeza, um ponto imenso, a escuridão total) dos colegas do PP, com quem na realidade divide o mesmo espaço político (e projeto de cidade e interesses econômicos e projeto de país e fundamentalismo religioso e trauma lingüístico e ardor bélico...).
Sem pretender emular Plutarco e as suas "Vidas paralelas", reconheço alguns curiosos paralelismos entre os munícipes regedores das "minhas" cidades, que às vezes se amalgamam em figuras monstruosas povoando os meus pesadelos (está ventando muito estes dias no Rio, e eu sempre fui um pouco aventado), e assim me parece estar ouvindo na televisão a improvável voz de Francisco Maia ou lendo no jornal o último depoimento alucinado de César Vázquez. Devíamos reconsiderar muitas coisas das nossas democracias, formais of course, quando a administração mais próxima ao cidadão, aquela onde a participação direta seria fácil, possível e necessária, produz tal profusão de caudilhos, de pequenos césares aliados das elites locais, que conseguem se perpetuar no poder com políticas populistas, de vitrine, afagando os míseros orgulhos provinciais ("sarna pa los demás", em palavras de Sir Vázquez) de uma cidadania-espectadora, que vê, ouve e aplaude, dado o caso.
Aí veio de novo a minha bílis.
Estamos de parabéns.
Estamos de parabéns?



2003-05-27, 04:26 | 9 comentarios

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Comentarios

1
De: Akin Fecha: 2003-05-27 06:09

A minha lectura é diferente, se con Prestige, Guerra, LSSI (Internet), LOU (Estudiantes), folga xeral(desempregados) e o rexeito europeo non perden craramente umhas eleccións ¿Cando as van a perder? ¿Nunca?

Ou á xente non lhe interesa nada disto ou, pensando o peor, en realidade apoia esa política ultraconservadora.



2
De: Martin Pawley Fecha: 2003-05-27 09:23

Pensar que ía producirse nestas eleccións unha debacle eleitoral do PP na Galiza era pecar de excesivo optimismo. O relevante é que con toda a maquinaria pesada que puxeron en funcionamento non conseguiran recuperar posicións significativas: o PP fracasou de novo en Vigo, Pontevedra e Santiago, e fixo o ridículo en Lugo. Na provincia da cousa nosa de Cacharro hai movementos aparentemente pequenos pero moi significativos, como a pérdida de Viveiro ou de Guitiriz, no corazón da minha Terra Chá. Por primeira vez o BNG convértese na forza máis votada nunha das sete cidades, Pontevedra. O PP perdeu a deputación da Corunha. Hai catro anos, o PP superaba en dous puntos á suma PSOE+BNG, e onte invertíronse as prazas e son estes dous quen superan ao PP por seis puntos. Cos resultados de onte (que certamente non son extrapolables, pero fagámolo a título orientativo) nunhas eleicións autonómicas gobernarían PSOE e BNG, partidos que nos próximos anos están condenados a entenderse.
Hai máis razóns para emitir un sorriso: a constatación de que até Sir Vázquez é fráxil e vencible (para perder a maioría absoluta non lhe faltou demasiado), ou a seguridade de que o PP pactará en Ferrol con Juan Fernández, ese xenuino exterminator que desfai todo alí por onde pasa, e que polo tanto ese acordo pode acabar sendo moi contraproducente para os intereses do PP.

A min non me parecen mal de todo os resultados de onte. Paréceme que marcan un (pequeno)cambio de tendencia, e que consolidan certas ideas (a Galiza urbana, e o contorno das grandes cidades, é maioritariamente progresista). Falta moito por caminhar, coma sempre, pero caminhamos. É cuestión de tempo. Levamos agardando séculos, así que poderemos agardar outro pouco máis.



3
De: ivan Fecha: 2003-05-28 07:34

como xa dixen considero unha pequena alegria nunha longa loita, a unca pena que teño e que 145 persoas non obligaran a sir paco a demitir, polo restou parecenme uns bos resultados, perden a diputacion da Coruña, "moncho es mucho" xa non e para tanto,etc...
o que non penso facer de agora en diante e ir a limpar a Muxia por moita merda que teñan a por moita axuda que pidan, ainda que martin non pense o mesmo !Muxia para eles que nos xa loitaremos polo resto¡



4
De: Omar Fecha: 2003-05-28 08:31

Meus camaradas, o meu ânimo flutua entre todas essas posições, mas ainda não está totalmente decantado. Temos motivos para a esperança, está se abrindo uma brecha no corpo eleitoral do PP, que pode se ir fazendo (que vai se ir fazendo) maior no futuro. Apesar dos resultados frustrantes da Zona Zero (que causaram justa indignação entre os caracoleiros), em linhas gerais foi um avanço, e não nos podemos negar isso. Já não acredito tanto nos "alcaldes" progressistas do PSOE, quando segundo Zapatero o modelo a seguir é Francisco Vázquez. Pensemos no que suporia outro tal em Vigo. Deus nos livre e guarde!!
Ótima a didática explicação sobre o método D'Hont de Martin Pawley. Até eu, que sou de letras, entendi tudo direitinho.



5
De: Omar Fecha: 2003-05-28 08:37

Não sei porquê não funciona o de aí encima. Aí vai de novo:
Ótima a didática explicação sobre o método D'Hont de Martin Pawley.



6
De: Omar Fecha: 2003-05-28 08:38

Eurekaa!!!



7
De: Martin Pawley Fecha: 2003-05-28 09:44

Nada, nada, você ten dominado xa iso dos hipervínculos. Paréceme que funcionan os dous. De todos xeitos, se pica co botón dereito do rato xusto por riba do enlace, verá en "Propiedades" cal é o enderezo URL que puxo, e entenderá as posibles dificultades.
Obrigado pola xenerosa referencia.



8
De: Martin Pawley Fecha: 2003-05-28 10:25

Mais uma cousa: no enlace que puxen no meu blog, é dizer, neste enlace, pódese facer unha simulación de resultados eleitorais de acordo ao método D'Hondt de xeito moi sinxelo.



9
De: juan Fecha: 2012-04-18 13:51

Meus camaradas, o meu ânimo flutua entre todas essas posições, mas ainda não está totalmente decantado. Temos motivos para a esperança, está se abrindo uma brecha no corpo eleitoral do PP, que pode se ir fazendo casas prefabricadas



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