Leio num conto de Rubem Fonseca a seguinte expressão: "trabalhei feito um galego". Assisto pouco depois ao magnífico filme documentário Edifício Master, de Eduardo Coutinho, onde são entrevistados os moradores de um monstruoso edifício de pequenos apartamentos em Copacabana. Todo um universo humano habitando um prédio-cidade, com um síndico-prefeito fascistoide, prostitutas, anciãs solitárias, aposentados, empregados públicos, estudantes, velhos atores esquecidos... De entre eles, destaca o depoimento de uma senhora "espanhola", originária de um pequeno povoado próximo a Santiago de Compostela, que emociona o auditório da sala de cinema falando da dignidade do trabalho de uma empregada doméstica, do orgulho por ter conseguido cuidar da família, comprar aquele pequeno apartamento no humilde serviço aos patrões. Mas logo a emoção vira estupor, e depois constrangimento, quando a boa senhora começa a dissertar sobre a pouco inclinação dos negros para o trabalho, sobre a inexistência de fome no Brasil, sobre a necessidade de se manter uma ordem social que condena muitas pessoas ao trabalho servil e reserva para uns poucos as regalias de uma vida abastada. Porque sempre foi assim, e sempre será. Reconheço na alienação diante do trabalho e na apologia da realidade alguns traços de uma certa mentalidade que sustenta a paralisia histórica da sociedade galega. Aquela que vem dificultando o avanço de qualquer movimento de transformação. Que também existem. E parece que começam a ser irrefreáveis.
Já Paul Lafargue, no seu panfleto intitulado O direito à preguiça, tinha colocado o galego entre os povos europeus escravos do trabalho. É por isso que ofereço a minha própria pessoa para cumprir um outro papel, para inventar um novo estereótipo galego, com vontade transformadora, o galego-Macunaíma .
Sospeito que Edifício Master non dará chegado á moi limitada carteleira galega. Carandiru, vista antonte en Cannes, posiblemente si. Viuna vostede? Que tal está?
Eu ofrézome tamén para cumprir ese necesario novo papel. E xa sabe vostede que querer é poder!
Já vi Carandiru. Achei o roteiro meio fraco, com alguns diálogos sem graça e sem substância, e um desenvolvimento um pouco primário. A figura do doutor da cadeia, que é o foco narrativo, acabou me resultando chata. A história, claro, é muito forte e revoltante, e tem esplêndidas imagens que dão conta. A cena final, da invasão do cárcere pelas forças de choque, é de não esquecer. E não se deve esquecer mesmo!!
Sospeitábao. O tráiler que pode verse desde a web parece feito por un inimigo. Verémola cando chegue, de todos xeitos. O director é Héctor Babenco, que tivo unha efémera celebridade ao rodar en Jolivú O Beijo da Mulher Aranha, adaptación desa novela de Manuel Puig na que o melhor é o título. Varios anos antes acadara unha grande repercusión con Pixote, a lei do máis fraco. Non hai moito tivemos ocasión de velo facendo de Virgilo Piñera en Before night falls.
Esta fin de semana iremos ver Blanca Madison. A ver que tal.