Está o Rio revolto. O perigo da bala perdida parece querer passar à história, e agora a bala está muito bem dirigida, direta ao encontro dos terrores mais arraigados da população, com os traficantes atirando desde os morros ou infiltrados em edifícios universitários, que nem Sarajevo. A estratégia é antiga e conhecemo-la bem. Os alvos aleatórios representam a totalidade da população e aí não existe escapatória. Dias atrás alguém disparou contra uma estudante da Universidade Estácio de Sá, no cámpus que fica do lado do morro do Turano, em Niterói. Diz-que como resposta pelo desaparecimento de dois moradores da favela após uma incursão da polícia. Dá para ver em que termos se produz a guerra de máfias. O poder paralelo do narcotráfico (que nem é tão paralelo assim, pois ninguém duvida que conflui com os poderes ditos oficiais muito antes de chegar ao infinito, em vários pontos do caminho), tomou conta do morro, aproveitando muito bem a ausência do Estado, que só se faz presente para os moradores nas figuras desses caras vestidos de preto e armados que de vez em quando entram atirando na noite. Exerce uma espécie de poder feudal sobre a favela, área de exclusão social. E ocasionalmente faz também uma incursão no asfalto, demostrando o seu poder para fechar lojas e escolas sob ameaça, e alimentando um medo básico do carioca de classe média: qualquer dia o morro, com seu exército de excluídos, desce ao asfalto, e aí não vai servir de nada ter as grades mais altas e os vigilantes melhor armados, porque ninguém agüenta com santa paciência a miséria eternamente. Mas não existe só medo, também há esperança (Spes et Metus vêm juntos desde a Idade Clássica). Cada vez tem mais gente comprometida com fazer subir o asfalto até ao morro, provocando um encontro que já demorou demasiado tempo.
Por enquanto, o atual secretário de segurança e ex-governador (?) do Estado, Garotinho (que saiu miraculosamente indene da CPI (comissão de investigação) sobre a corrupção (roubalheira) dos fiscais do Rio) declara que a situação da violência está fora de controle e anuncia uma revolucionária medida para acabar com o tráfico de droga: perseguir policialmente e meter na cadeia... os usuários!! E rezar.
Menino do Rio, calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço, calção corpo aberto no espaço
Coração de eterno flerte, adoro ver-te
Menino vadio, tensão flutuante do Rio
Eu canto pra Deus proteger-te
O Hawaí seja aqui, tudo o que sonhares
Todos os lugares, as ondas dos mares
Pois quando eu te vejo eu desejo o teu desejo
Menino do Rio, calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo
Minha boa, tan sabia, dicía a miúdo que canto máis se agacha un, máis se lhe ve o cu. O cu dos Garotinhos está ben á vista, mesmo a esta beira do océano...
Garotinho admite que tiro que atingiu estudante pode ter partido da polícia
RIO - O secretário de Segurança Pública do Rio, Anthony Garotinho, admitiu que o tiro que atingiu a estudante Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, no último dia 5, no Campus da Universidade Estácio de Sá, pode ter sido disparado por um policial. Segundo Garotinho, que concedeu entrevista a uma rádio carioca, a bala retirada do corpo da estudante é de uma pistola calibre 40, utilizada por policiais civis e militares do Rio.
Garotinho disse ainda que as imagens desparecidas nas fitas do circuito de segurança da universidade, podem confirmar ou não esta possibilidade.
Pois sim. Parece que o disparo saiu do próprio edifício da Estácio. Possivelmente de um policial metido a segurança, pluriempregado. A coisa está meio esquisita. Nesta guerra de máfias alguns até andam uniformados.